Resolvo que serão dois dias de esteira e um de rua, quase sempre na Lagoa. Na esteira é mais fácil controlar a velocidade dos tiros e dos treinos de ritmo, fundamentais no método First. No primeiro longa fico beirando a exaustão, numa cadência próxima de 8 minutos por km (7,5-7,6 km/h). No segundo já estava com o GPS (forerunner 405) trazido pelo Flávio, amigo corredor e incentivador da primeira hora e passei a registrar todos os longões (o segundo de 14,5km http://connect.garmin.com/activity/29781385 ).
sábado, 26 de junho de 2010
Começa o treino
No dia 15 de março comecei "oficialmente"a treinar para a maratona do Rio. Já tinha me inscrito em Fevereiro, num ato que misturava ousadia/rebeldia/insanidade e uma vez inscrito, resolvi pelo menos tentar me preparar. A prova dos 10km do outono me ensinara que se eu quisesse de fato completar a maratona teria que ser no meu ritmo ( lento ). A planilha F.I.R.S.T. para a primeira maratona era baseada nos ensinamentos do livro "Run less, run faster" que eu havia lido alguns meses antes. Resumindo, 3 dias de corrida mais dois de treino alternativo - no meu caso natação. Cada dia de treino com um objetivo específico: aumentar o consumo de oxigênio, aumentar o limiar de lactato e aumentar a resistência. terça/quinta/sábado, Tiros, Treino de ritmo e longão, natação quarta e sexta, assim é a semana típica de treinamento.
10 Quilômetros
Durante o mês de fevereiro/2010 levei a sério o sistema 3dias de corrida mais 2 de natação. A sensação de melhorar, de conseguir correr por um tempo maior, dava um poderoso sentimento de controle sobre a a própria vida. O esforço dava resultado.Corri 9 km em pouco mais de uma hora em duas oportunidades e 10 km em pouco mais que isso em outras, antes de correr a prova da Adidas do outono. Minha meta era desde o início a maratona do Rio em Julho. Já tinha feito as contas com a planilha de 18 semanas do F.I.R.S.T para a primeira maratona e teria que começar o treinamento na terceira semana de março com o primeiro longão de 13 km. Resolvei que se conseguisse completar os 10 k em menos de 1h10min iria treinar para a maratona.
Chegou a prova.Sete de Março, domingo 8:00 da manhã. Confusão para achar o meu chip, mas no final, tudo certo. Largo com dois amigos que já correm. Não queria que isso acontecesse, mas não deu para evitar. Depois de 3 km percebo que estou com "dor desviada" a esquerda e exausto, com frequência em torno de 170bpm. Aparentemente estava bem, mas forçava o meu próprio ritmo para acompanhá-los, até a minha exaustão. Tive que reduzir drásticamente a velocidade, para uns 8 min por km ( estava antes a uns 6:40min por km) pois senão não iria completar a prova. Após uns km consegui recuperar e terminei com 1h12min. Dois dias depois faço na esteira os 10 k em 1h e 8min. Com isso tomei coragem e iniciei o treinamento para a maratona.
Essa prova me mostrou como é importante o autoconhecimento para a expansão dos próprios limites. Por mais que seja visto por muitos como de uma certa forma coletivo, vejo a corrida como um esporte absolutamente individual. O coletivo é o partilhamento do prazer de correr, sentir-se bem, alcançar metas, buscar ideais, que advem da corrida individual.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Ficando mais sério
Em Fevereiro 2010 após os 15 dias de férias na Bahia voltei com a corda toda. Meu objetivo era me firmar abaixo dos 100kg e aumentar a distância percorrida. Peguei a planilha para os 10 km e fui fazendo adaptações. Abusado, logo em janeiro me inscrevi para a prova de 10 km do outono que seria realizada em março. Minha meta era ver se conseguiria completar os 10k próximo de uma hora para poder me preparar para correr a maratona do Rio, com data em 18/07/2010. A planilha da maratona começava com um longão de 13,5 km e essa distância ia progressivamente aumentando até chegar a 32k faltando 3 semanas para a prova. No final de fevereiro consegui fazer 9 km em pouco mais de uma hora e me inscrevi para a maratona do Rio- Acho que foi em 23/02/2010 que fiz a inscrição. Senti-me arriscando um pouco, pensei se "anunciava"que tinha feito a inscrição ou não e no dia seguinte recebi uma msg do Haroldo Leão chamando o pessoal para a Maratona, Meia e Family Run. Não resisti, falei logo que "já estava inscrito". "Para a completa, nada pela metade não...".
Terça, quinta e sábado, corrida. Quarta e sexta, natação. Tiro, "tempo run", longão. Pouco a pouco fui aumentando a distância até que consegui fazer 10k alguns dias antes da prova do outono.
domingo, 13 de junho de 2010
Dois Dígitos
No dia 22 de dezembro de 2009, após 15 anos pesando mais que 100 kg, subi na balança após a ginástica e o peso foi: 99,7kg!!!!!!!!!!!!!
É verdade, foi antes de beber água, tomar café da manhã,etc, mas foi o que mostrou o marcador da balança. Fotografei a balança comigo em cima e com o JB do dia em baixo e enviei para toda a minha lista de contatos. Os olhos ficaram cheios de lágrimas, especialmente ao receber as respostas dos amigos, todos incentivando e apoiando a mudança que estava conseguindo dar na minha vida. Aliás, a melhor sensação desde que comecei todo esse processo é sentir que sou eu quem controla a minha vida, não sou controlado por ela, faço o que quero, quando quero.
Vieram as festas de final de ano e obviamente o peso oscilou para cima, ficando na casa dos 99 a 104 até o final de Dezembro. Na segunda quinzena de Janeiro fomos de férias para a Bahia. Uma semana na chapada Diamantina, uma semana na Praia do Forte. Consegui voltar oscilando entre 97-102, o que foi um feito e tanto. Na verdade até perdi peso na Chapada, com as caminhadas de horas a fio, mas recuperei no período de descanso na praia do Forte. O importante é que consegui manter uma atividade física regular. Na chapada a atividade era o dia a dia intenso, extenuante. Na praia do Forte, dia sim, dia não corri 6 km pela manhã, acordando sempre sozinho, sem despertador. Numa dessas corridas, junto com a Márcia, fui bem lento para acompanhá-la. Até então, qualquer corrida levava a minha frequência cardíaca a 165-170 ( minha FC máxima era 175). Nesse dia fui bem lento e para minha surpresa a FC ficou em torno de 145-150. Achava que isso nunca iria acontecer comigo e esse fato foi o primeiro fato concreto que me disse que de fato seria possível completar a maratona. Na minha lógica se não conseguisse correr com uma frequência em torno de 150, nunca conseguiria manter-me correndo por 5 horas seguidas.
Finalmente correr!
Passado o período de repouso pela a contusão, além de nadar voltei a andar na esteira . O período sem esteira serviu para pesquisa e leitura sobre os métodos de preparo para se correr uma maratona. Desde o primeiro dia de exercício esse era meu objetivo: completar a maratona do Rio de Janeiro de 2010. Pesquisei em vários sites da internet e o método que mais gostei foi o FIRST, descrito no livro “run less, run faster”ainda não editado no Brasil (Nota tardia: editado com o título " treine menos, corra mais"), escrito por editores de uma revista de corrida americana. A história por trás do método é que ele eram um grupo de triatletas que só treinavam corrida 3 vezes por semana e começaram a ter resultados na corrida melhores que corredores exclusivos! O motivo: treinando menos dias, tinham menos lesões. Recuperando-me de uma lesão por sobrecarga de treinamento, aquilo fazia todo sentido do mundo. Mais ainda, o método baseava-se em 3 treinos com objetivos específicos cada um e incentivava atividades alternativas nos dias de não corrida, tais como bicicleta, remo e natação. Encomendei o livro ao Flávio que estava viajando para Chicago para um Congresso e logo virei um defensor ardoroso do método.
Iniciado o mês de novembro de 2009 comecei a correr seguindo a planilha de quem nunca correu e deseja correr 5 km. Como é da minha personalidade, fiz umas adaptaçõeszinhas, pulando alguns treinos, de forma que completei a planilha, que era para ser cumprida em 12 semanas, em pouco mais que 6 semanas de treino até que na segunda semana de dezembro consegui correr 5 km initerruptos na esteira, em 38 minutos! Tinha acabado de virar um corredor. Para a Maratona faltava “só” conseguir correr mais 37 km… Mais ainda restavam 6 meses para a preparação.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
O reinício
Após duas semanas de muletas, recomecei pela natação. Não cheguei a parar de fazer musculação mas restringi os exercícios. Não queria perder os ganhos já conquistados a grandes esforços. Nadar foi sempre presente na minha vida, nos mais variados momentos, de várias maneiras diferentes.
Foi fácil manter o ritmo. Já estava acostumado a acordar antes das 6 da manhã. Quase nunca ouvia o despertador tocar, geralmente acordava antes. E ainda tinha uma vantagem adicional, a natação era um dos treinos alternativos propostos pelo método FIRST, que havia descoberto em buscas na internet e que achei que era o que mais se adequava ao meu perfil.
Foi fácil manter o ritmo. Já estava acostumado a acordar antes das 6 da manhã. Quase nunca ouvia o despertador tocar, geralmente acordava antes. E ainda tinha uma vantagem adicional, a natação era um dos treinos alternativos propostos pelo método FIRST, que havia descoberto em buscas na internet e que achei que era o que mais se adequava ao meu perfil.
Expliquei à professora ( Maitê) minha situação e objetivos, inclusive o sonho de completar uma maratona e da importância da natação no treinamento global. Desde o primeiro dia acolhedora, a Maitê foi uma incentivadora da primeira hora, acreditando na recuperação rápida e na minha determinação na busca dos resultados.
Com isso, no final de outubro estava de volta à esteira, de forma regrada, 3 vezes por semana.
sábado, 15 de maio de 2010
Correr é voar
Correr implica em estar em algum momento do deslocamento sem nenhum apoio no solo.
Por alguns instantes somos seres alados. Só há um problema, não temos asas. Joelhos, pés, pernas e tornozelos, aí vai a carga maior. Resumindo, do joelho para baixo. O Elefante sempre mantém uma das patas no chão quando " corre" . Nós não, nós voamos, mais de 100 vezes por minuto, até que parece que tem um "motorzinho" nos levando para um passeio.
Quando a corrida chega a esse estágio minha sensação é que estou voando bem baixinho e vou curtindo o som e a paisagem ao redor. As duas semanas de muletas mostraram como são importantes as pernas e os limites, que devem ser respeitados para ser quebrados.
Em outubro tive que interromper a esteira, alguns exercícios da musculação mas voltei para uma amante antiga: a natação.
Por alguns instantes somos seres alados. Só há um problema, não temos asas. Joelhos, pés, pernas e tornozelos, aí vai a carga maior. Resumindo, do joelho para baixo. O Elefante sempre mantém uma das patas no chão quando " corre" . Nós não, nós voamos, mais de 100 vezes por minuto, até que parece que tem um "motorzinho" nos levando para um passeio.
Quando a corrida chega a esse estágio minha sensação é que estou voando bem baixinho e vou curtindo o som e a paisagem ao redor. As duas semanas de muletas mostraram como são importantes as pernas e os limites, que devem ser respeitados para ser quebrados.
Em outubro tive que interromper a esteira, alguns exercícios da musculação mas voltei para uma amante antiga: a natação.
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